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Saúde

Não confie em tudo o que vê...

Eureka Brasil · 2019

Sabia que muito do que você vê do mundo não é real? O nosso cérebro é programado para utilizar pequenas dicas do mundo que entram pelo nosso sistema visual e, com nossas memórias, formar imagens maravilhosas. É realmente muito bom poder ver as coisas. No entanto, é extremamente importante termos consciência de que nossos cérebros criam ilusões e imagens distorcidas da realidade. Não confie em tudo o que vê…

As informações exteriores chegam no cérebro dos animais através de todos os sentidos. Um dos sentidos mais aprimorados nos seres humanos é a visão.

Não confie em tudo o que vê...

A luz que reflete dos objetos ou outros seres vivos entra nos nossos olhos, ultrapassando a íris, esse pedacinho preto e redondo no meio do seu olho. Aí a luz viaja pelo globo ocular e atinge uma película de neurônios que reveste o fundo do olho. Essa película é chamada de retina. A luz estimula os neurônios da retina que, por sua vez, mandam sinais elétricos para o seu cérebro, particularmente para o córtex visual.

A informação visual é específica é interpretada pelo nosso cérebro em conjunto com nossas memórias. Vamos a alguns exemplos:

Nossa visão geralmente foca em aspectos gerais ao invés de particulares de uma imagem qualquer. Só prestamos atenção nos aspectos particulares se formos indagados a respeito daquilo. Isso muda a maneira que observamos uma imagem, por exemplo. Foi assim que o psicólogo russo Alfred Yarbus percebeu que as pessoas fazem a observação de uma tela de pintura ( Unexpected Visitors, de Ilya Repin ) de maneira diferente se são questionados a respeito de detalhes diferentes.

Eu vi um exemplo simples e interessante no livro Incógnito, de David Eagleman. Digamos que eu peça a você para olhar a seguinte imagem e me dizer do que a imagem é composta:

IIIIIIIII

Muito provavelmente, você me diria que a imagem tem linhas verticais, certo? Para isso, não necessário gastar muito tempo olhando para as linhas.

E se eu perguntasse quantas linhas foram desenhadas? Com certeza você teria que retornar à imagem e gastar muito mais tempo analisando-a. Teria que focar nos detalhes para responder a minha pergunta.

Portanto, “ o cérebro geralmente não precisa saber a maioria das coisas; ele sabe meramente como achar as informações no mundo. O cérebro faz sua computação, baseado na necessidade. ” (livre tradução de frase do livro Incógnito: As Vidas Secretas Do Cérebro, de David Eagleman).

É exatamente por isso que não percebemos os detalhes escondidos que os mágicos fazem na nossa frente.

A imagem abaixo pode ser vista como duas faces ou um vaso. A imagem não muda, o que muda é como o seu cérebro interpreta o que está chegando através do sistema visual.

Isso quer dizer que vemos as coisas da maneira como nosso cérebro interpreta. Veja, portanto, como é importante saber disso, uma vez que a maneira como seu cérebro está interpretando o que vê talvez não seja a verdadeira ou a única possibilidade.

Para finalizar, precisamos também falar do ponto cego. Nós temos um ponto cego na retina e ele não é pequeno. Isso quer dizer que em determinada parte da imagem a sua frente você não enxerga nadinha de nada.

O ponto cego é exatamente um pedaço da retina que não tem neurônios para decodificar a luz que vem do mundão aí fora.

E como será, então, que não aparece um pedaço preto aqui nessa tela?

Isso acontece porque onde não há informação luminosa, o cérebro cria um padrão baseado nas imagens ao redor do ponto cego.

Veja a imagem a seguir. Feche o seu olho direito e fixe o olhar esquerdo no meio na imagem. Agora, aproxime a tela do seu celular ou aproxime-se do computador até que não veja mais o círculo preto.

Perceba que quando o círculo branco desaparece, sua percepção completa a falta do círculo com o padrão do fundo da imagem: listrado. Isso é o seu cérebro trabalhando para preencher seu ponto cego com informações que estão ao redor dele.

Você não vê a realidade completa, mas sim uma interpretação mental e individual dela.

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