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Ambiente e Biologia

Para onde vai o nosso lixo?

Eureka Brasil · 2019

Um dos grandes desafios da sociedade moderna é a disposição final ambientalmente segura dos resíduos sólidos. De maneira geral, existem dois destinos principais do lixo gerado pela sociedade: os lixões e os aterros sanitários. Ambos apresentam problemas como a contaminação do solo, do lençol freático e a proliferação de macro e micro vetores.

Resíduos sólidos são aqueles dejetos que se encontram em estado sólido ou semi-sólido, que resultam de atividades antrópicas. Podem ser de origem industrial, doméstica, hospitalar, comercial, agrícola, de serviços e de varrição. Também estão incluídos os lodos provenientes do sistema de tratamento de água (aqueles gerados em equipamentos e instalações para controle da poluição). E, por último, os líquidos com partículas que não podem ser lançados na rede de esgoto.

Para onde vai o nosso lixo?

Questões relacionadas com os resíduos sólidos têm se mostrado prioritárias a partir da Conferência Rio 92. Tanto os países mais ricos como os mais pobres se comprometeram com o tema, justamente porque a destinação final dos resíduos pode levar à poluição e à proliferação de vetores nocivos à saúde.

Entretanto, em tempos mais recentes, a quantidade de lixo gerada tem sido grande e seu mau gerenciamento pode provocar danos à saúde, ao meio ambiente e à economia. Por isso, nos últimos anos, vem crescendo, e cada vez mais, os estudos nessa área. O assunto tem se tornado foco de debates em várias áreas do conhecimento e sua importância crescente deve-se, principalmente a:

  • Grande quantidade de lixo gerada: segundo estudos, o índice per capita brasileiro está em torno de 0,50 a 1,00 kg/hab/dia.
  • Gastos financeiros: no Brasil, em média, os serviços de limpeza demandam 7% a 15% do orçamento dos municípios.
  • Impactos à saúde e ao meio ambiente: a destinação final inadequada pode levar à contaminação do ar, água, solo e à proliferação de vetores causadores de doenças.

O destino dos resíduos sólidos compreende um problema atual que afeta principalmente as grandes metrópoles. Cerca de 59% dos municípios brasileiros destinam seu lixo aos lixões. Isso se deve às grandes dificuldades enfrentadas pelos gestores municipais, como: limitação financeira, falta de capacidade técnica e profissional e descontinuidade política. Além disso, os lixões apresentam menor custo, exigindo poucos equipamentos e mão de obra pouco especializada.

Contudo, em termos ambientais, os lixões agravam a poluição do ar, da água e do solo. Quando os pontos de descarga de lixo estão em encostas, o problema é ainda mais grave. Com a instabilidade do solo causada pela sobrecarga de peso e absorção temporária da água da chuva, pode ocorrer o deslizamento de terra, provocando danos ainda mais sérios.

Já em termos sociais, os lixões podem ser atrativos para a população de baixa renda, que buscam uma alternativa de trabalho através da reciclagem. No entanto, essas pessoas estão sujeitas a condições insalubres e sub-humanas, podendo comprometer a sua saúde.

Teoricamente, as áreas degradadas por lixo podem ser recuperadas através da remoção dos resíduos sólidos. Estes devem ser transportados para um aterro sanitário e a área degradada deve receber solo natural da região. Mas, esse trabalho envolve um custo elevado, o que dificulta a sua ação. Assim, soluções mais simples para minimizar o problema são adotadas, tais como:

  • Encerrar a operação dos lixões: essas regiões podem ser requalificadas ambientalmente, reduzindo os impactos ambientais negativos e dando uma nova finalidade para a área.
  • Transformação de um lixão em aterro sanitário: recuperação gradual da área mantendo a sua operação. Isso pode prolongar a vida útil da área, minimizando os impactos ambientais.

A segunda alternativa, geralmente, é a mais adotada pelos municípios. Entretanto, a transformação de um lixão em aterro também pode gerar problemas sanitários e ambientais. Assim, para combater os problemas sanitários, medidas são adotadas, tais como: a movimentação e conformação da massa de lixo, eliminação da fumaça e do fogo e limpeza da área. Já as questões ambientais são tratadas através de ações como: drenagem da água superficial; drenagem, coleta e tratamento dos gases e do chorume; cuidados para minimizar a contaminação do lençol freático.

Alguns métodos para a recuperação dos resíduos sólidos são a reciclagem e a compostagem. Na reciclagem, os materiais que seriam destinados ao lixo são reutilizados como matéria-prima na manufatura de bens. Esse método é importante pois pode preservar os recursos naturais, reduzir a poluição do ar e água, diminuir a quantidade de lixo a ser aterrada e ainda gerar empregos. Um ponto negativo é a diminuição da qualidade técnica do material reciclado.

Já a compostagem (fabricação de compostos orgânicos a partir do lixo) é um método de decomposição do material orgânico para obter um composto orgânico (húmus) para o uso na agricultura. Apesar de ser um método de tratamento, esse procedimento também pode ser entendido como uma reciclagem do material orgânico do lixo.

Uma outra alternativa seria o aterro controlado. Esse processo é menos prejudicial que os lixões pois os resíduos dispostos no solo são recobertos com terra, reduzindo a poluição local. Contudo ainda são menos eficientes que os aterros sanitários porque a massa de lixo em decomposição não é inertizada.

Como pode-se perceber, todas as formas alternativas para a disposição dos resíduos sólidos apresentam vantagens e desvantagens. A redução do consumo poderia ser uma alternativa interessante. Com essa redução, menos lixo seria produzido e descartado no ambiente, aumentando as chances de sucesso do gerenciamento de resíduos, e contribuindo para a diminuição da poluição do solo, ar e água.

Alberte EPV, Carreiro AP e Kan L. Recuperação de áreas degradadas por disposição de resíduos sólidos urbanos. Diálogos & Ciência. 2005.

Cunha V e Caixeta Filho JV. Gerenciamento da coleta de resíduos sólidos urbanos: estruturação e aplicação de modelo não-linear de programação por metas. Gestão e Produção. 2002.Jacobi PR e Besen GR. Gestão de resíduos sólidos em São Paulo: desafios da sustentabilidade. Estudos avançados. 2011.