A vida online do cérebro adolescente

Hoje, a grande maioria das pessoas têm duas vidas: a online e a offline. A vida virtual é presente diariamente nas atividade de um indivíduo. Apesar das mídias sociais permitirem que as pessoas troquem informações, ideias e mensagens, existe uma pressão negativa que pode impactar as pessoas. A expectativa quanto aos seus perfis de Facebook, Twitter, Instagram lindos, felizes e perfeitos são cada vez mais alta.

Tudo isso causa estresse e afeta o nosso cérebro, principalmente de adolescentes. Os adolescentes são os indivíduos com idade entre 10 e 22 anos (isso mesmo, até os 22 anos). De acordo com o Common Sense Media realizado em 2015 nos Estado Unidos, os adolescentes utilizam as mídias digitais todos os dias por 6 a 9 horas, excluindo tempo no qual as mídias digitais são utilizadas para escola. É, em média, mais do que o tempo de sono que atualmente consigo ter todos os dias. É assustador! Os meninos focam mais em jogos como o Xbox e as meninas focam mais no Instagram, mas televisão e música ainda dominam a dieta de consumo digital.

Os adolescentes estão ainda em fase de maturação cerebral. Ainda não é claro como este mundo virtual pode influenciar a trajetória de amadurecimento das regiões cerebrais associadas, por exemplo, com as interações sociais. Uma recente revisão sobre o tema tenta trazer diversos pontos que a ciência já está trabalhando. Um deles é a relação dos comportamentos sociais virtuais de aceitação e rejeição com o cérebro. Isso porque já sabemos que a densidade de algumas regiões cerebrais, como, por exemplo, a amígdala (parte do seu cérebro que processa as emoções e o medo), tem a ver com o tamanhos dos períodos de interação social offline e online. Portanto, as interações sociais virtuais afetam o cérebro tanto quanto as interação sociais da vida offline.

Nos seus perfis virtuais, a sensação prazerosa de aceitação social é endossada pelas famosas curtidas. Quem não gosta quando aquela foto de viagem recebe um tantão de curtidas? Neurocientistas mostram que a sensação de ser aceito no mundo virtual ativa regiões cerebrais idênticas àquelas ativadas por outros tipos de prazer, como dinheiro, comida e sexo. Essa região é chamada de estriado ventral ou de núcleo accumbens. Isso acontece no cérebro de crianças, adolescentes e adultos. No entanto, adolescentes que sofrem de depressão ou que tiveram experiência de afeto parental negativo (constante exposição à comportamentos tristes, ansiosos, nervosos e depressivos dos pais) não apresentam a resposta cerebral da região do núcleo accumbens como descrito anteriormente.

Por outro lado, a rejeição virtual também tem um impacto importante na vida das pessoas. Um estudo científico mostrou que o córtex frontal (região da testa, bem aí, na frente da sua cabeça) fica ativo em situações de exclusão social. Essa região é importante para avaliação social, processamento afetivo negativo e, também, por pensamentos complexos, expressão da personalidade, tomadas de decisões e modulação de comportamento social. No entanto, a alteração do funcionamento do córtex frontal só é observada em adolescentes. Portanto, ser aceito ou rejeitado em um grupo social, inclusive na internet, é mais impactante na vida dos adolescentes.

Muitos estudos ainda precisam ser desenvolvidos.

E o que os pais podem fazer?

Aqui vão algumas dicas baseadas na neurociência:

1) Seu filho vai se colocar em situações de risco, queira você ou não. Isso acontece porque as partes do cérebro do ser humano que controlam as tomadas de decisões ainda não estão totalmente maduras.

2) Tem se observado um número cada vez maior de adolescentes se expondo de maneira inadequada na internet. As mídias sociais são uma nova maneira dos adolescentes expressarem comportamentos de risco.

3) Adolescentes devem explorar e aprender a se adaptar em diversos ambientes, inclusive nos ambientes virtuais. Proibir não é solução. No entanto, é adequado um acompanhamento dos pais ou parentes próximos, inclusive ensinando como se portar em uma vida online, do mesmo jeito que os pais ensinam a se comportar na vida offline.

4) Entenda que o cérebro do seu filho é diferente do seu. Por isso, ele pode ser afetado por situações do cotidiano que, para você, adulto, parecem triviais. Compreensão é fundamental.

REFERÊNCIAS

Crone EA, Konijn EA. Media use and brain development during adolescence. Nature Communications. 2018.

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