Cientistas revertem prejuízo de memória do Alzheimer

A memória é uma das funções cognitivas mais estudadas pelos cientistas. Queremos desvendar como ela acontece, onde é armazenada, como pode ser melhorada e quais fatores podem prejudicá-la. Uma das doenças que mais vem aumentando sua prevalência da população é a Doença de Alzheimer. O sintoma mais proeminente dessa doença é o crescente prejuízo de memória. Os pacientes passam a se esquecer de pequenas coisas do dia a dia. Isso acontece até que não reconhecem mais nem os próprios familiares. Esse é o prejuízo de memória do Alzheimer.

Os cientistas têm trabalhado a fundo para entender os processos moleculares que causam esse prejuízo de memória. Se antes parecíamos muito longe desse conhecimento, agora surgiu uma luz no final do túnel.

Um recente estudo desenvolvido nos Estados Unidos mostrou pela primeira vez em modelos animais que patologias associadas à proteína Tau (uma das proteínas mais importantes e alteradas em pacientes com a Doença de Alzheimer) pode ser revertido por uma nova droga.

O mais interessante é que esse novo tratamento pode ser iniciado depois que a doença já foi estabelecida. Ou seja, temos agora a possibilidade de um tratamento que pode ser efetivo, mesmo que iniciado depois que os déficits de memória já se apresentaram.

Os cientistas descobriram que uma molécula inflamatória, chamada de leucotrieno, está alterada na Doença de Alzheimer e outras demências. O cientista Domenico Praticò, líder do estudo, mencionou em entrevistas: “No início da demência, os leucotrienos tentam proteger as células nervosas, mas, com o passar do tempo, eles causam danos… Com essa descoberta, nós buscamos saber se o bloqueio dos leucotrienos poderia reverter os danos….”. A ideia central dos cientistas era ver se, dessa maneira, eles poderiam reverter déficits de aprendizado e memória em camundongos idosos que já haviam acumulado a proteína Tau (aquela associada ao Alzheimer).

Os camundongos foram tratados com o zileuton. Essa droga inibe os leucotrienos e bloqueiam a enzima 5-lipoxidase. Depois de 16 semanas de tratamento, os camundongos melhoram a performance em testes de memória quando comparados a camundongos que não foram tratados com o zileuton. Além disso, os animais tratados tiveram uma redução drástica de leucotrienos e também do acúmulo da proteína Tau.

Esse estudo é muito importante, principalmente porque a droga utilizada, o zileuton, já é aprovada para o uso médico contra a asma. Isso quer dizer que essa droga já foi testada com relação à efeitos tóxicos e efeitos colaterais em seres humanos.

Como mencionou o cientista líder dessa pesquisa: “É uma velha droga para uma nova doença… Essa pesquisa pode rapidamente passar por testes clínicos em pacientes humanos com a Doença de Alzheimer”.

 

REFERÊNCIA

Giannopoulos PF, Chiu J, Praticò D. Learning Impairments, Memory Deficits, and Neuropathology in Aged Tau Transgenic Mice Are Dependent on Leukotrienes Biosynthesis: Role of the cdk5 Kinase Pathway. Molecular Neurobiology, 2018

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