Precisamos falar sobre ciência

Um dos nossos objetivos no Eureka!Brasil é trazer informações embasadas em evidências científicas. Nós já abordamos temas polêmicos como as mudanças climáticas do planeta, extinções de espécies, evolução e seus conceitos, economia e meio ambiente, e uso de animais  na pesquisa. Começaremos hoje, uma microssérie de quatro textos tratando sobre temas polêmicos, mas que precisam ser explicados a luz do método científico moderno. Vamos confrontar a ciência e pseudociência. Essa série contará com textos abordando:

1) como a ciência moderna funciona;

2) o mito da Terra plana;

3) as vacinas;

4) a homeopatia.

Nós esperamos que nossos leitores compreendam que a ciência se baseia em dados empíricos, evidências, e não em opiniões pessoais ou hipóteses não-testadas. Os resultados e conclusões de um estudo são obtidos APÓS o teste de hipóteses.

A ciência nunca pode coletar dados para provar uma teoria. Por isso, precisamos testar nossas hipóteses e sempre tentar derrubá-la. Trata-se do princípio da falseabilidade, de Karl Popper.

Continuem a leitura desse texto, e dos demais da série, e esperamos que vocês ao final das leituras entendam um pouco mais sobre esse magnífico mundo de descobertas que é a ciência.

 

A internet pode ser amiga e inimiga do aprendizado científico

Infelizmente, a Internet está virando um campo fértil de disseminação das chamadas pseudociências e das populares “fake news” (notícias falsas). Tanto a pseudociência quanto a “fake news” espalham desinformação. Acima de tudo, ampliam as discussões que não levam em conta dados empíricos e testes de hipóteses. Ou são simplesmente boatos e mentiras. Isso vai na contramão de como a ciência moderna trabalha, através dos métodos de testes de hipóteses e as tentativas de falseabilidade da mesma.

 

O que são as pseudociências?

Uma das mais famosas pseudociências atual é a ideia errada de que a “Terra plana”. Há quem diga que a homeopatia funciona. Algumas pessoas acham que vacina provoca autismo em crianças. Opiniões como essas se disseminam num mundo onde a busca por conhecimento é feito com memes e vídeos sensacionalistas. Isso precisa mudar…

As pseudociências se baseiam em apresentar dados enviesados em um conceito adotado a priori pela pessoa, e onde não há testes para avaliar as hipóteses estabelecidas. Vejamos o exemplo, abaixo.

 

Como funciona a pseudociência?

Vamos supor que você vivesse na Europa do século 18 e se interessasse por cisnes. A partir de várias visitas a locais onde eles vivem, você passa a notar que só é possível encontrar cisnes brancos. Por isso você conclui que todos os cisnes são brancos. Neste caso, você está utilizando das suas experiências pessoais para coletar dados para confirmar sua crença prévia que todo cisne é branco.

Esse exemplo, muito comumente citado por vários filósofos da ciência, se mostrou extremamente didático, porque em 1790 se descobriu na Austrália um cisne de cor negra, quebrando o paradigma de que todo cisne era branco.

Se você concentrasse todo seu esforço em fazendas européias perto da sua casa, você certamente chegaria a uma conclusão errônea.

Todos nós temos ideias pré-concebidas de alguma forma. Métodos que só confirmam o que já temos de conhecimento e acreditamos são pseudociências.

A pseudociência procurar confirmar hipóteses, enquanto a ciência verdadeira procurar refutar as hipóteses. A verdadeira ciência não se prende a crenças, e o verdadeiro cientista deixa de lado sua opinião pessoal e se abre as mudanças do conhecimento que ocorrem continuamente conforme novas evidências são descobertas.

 

Princípios básicos da Ciência

A ciência se baseia em três passos fundamentais. A ciência é:

  • testável,
  • refutável, e
  • falseável.

Nós não podemos provar que uma teoria é verdadeira, só podemos provar que ela está errada.

Se você busca de todas as maneiras refutar uma hipótese e não consegue evidências disso, é sinal que ela é uma evidência robusta, logo a mais plausível no momento.

Entretanto, lembre-se: basta apenas uma nova evidência descoberta e sua hipótese pode ruir. Devemos estar sempre dispostos a revisar nossas crenças a luz de novas evidências. A ciência moderna é baseada nas probabilidades de ocorrência de um fato baseadas nos dados atuais que possuímos naquele exato momento.

 

Desenvolva o seu pensamento científico: seja crítico e cético

Questione, leia, busque conhecimento. O pensamento científico não é dogmático. Por isso mesmo ele é libertador!

Através da curiosidade (sempre queira aprender mais), do ceticismo (sempre questione) e do empirismo (sempre busque os dados), a ciência te permite experimentar, buscar, agrupar evidências para que você possa basear suas opiniões. Pergunte e questione sempre! Não deixem que outras pessoas decidam o que é melhor para vocês!

Que tal, então, conferir nossa série de textos, para entender os argumentos científicos que explicam que crenças pseudocientíficas estão erradas.

 

 

REFERÊNCIAS

De Queiroz K, Poe S. Philosophy and phylogenetic inference: a comparison of likelihood and parsimony methods in context of Karl Popper’s writings on corroboration. Systematic Biology. 2001.

De Queiroz K, Poe S. Failed refutations: further comments on parsimony and likelihood methods and their relationship to Popper’s degree of corroboration. Systematic Biology. 2003.

Helfenbein KG, DeSalle R. Falsifications and corroborations: Karl Popper’s influence on systematics. 2005.

Rieppel O. Popper and Systematics. Sys. Biol. 2003.

 

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