Precisamos falar sobre as vacinas

Certamente, uma esperança que todos temos é que novas descobertas possam trazer avanços na medicina. Pergunte a qualquer pessoa com mais de 30 anos. Elas dirão que, quando eram bem jovens, esperavam que muitas doenças estariam erradicadas nos dias atuais. Entretanto, o atual momento dos jovens da década 80 (muitos colunistas aqui do Eureka, inclusive) tem trazido um medo muito mais real e perigoso: o mito das vacinas que causam mal. Nós precisamos falar sobre vacinas. Nós precisamos esclarecer esse mito de uma vez por todas!

 

Por que vacinar crianças e idosos é tão importante?

No início da década de 80, havia cerca de 4,5 milhões de casos de poliomielite. Apenas 10% da população era imunizada através da vacinação. Quase 30 anos depois, a imunização atingiu 90% da população e o número de casos é de apenas cerca de 300 mil. Fica fácil fazer as contas… Em muitos países a doença já foi até mesmo erradicada, ou seja, eliminada!

Para várias outras doenças isso também é uma realidade, como o sarampo, rubéola, pólio e difteria.

Quantas pessoas você conhece que já foram diagnosticadas com sarampo ou coqueluche? Essas doenças já foram muito comuns e mataram muitas pessoas (quase 4 mil mortes de 1980 a 2008 no caso do sarampo). No entanto, hoje são muito menos prevalentes. Essas doenças não são mais uma grande ameaça para as crianças que receberam as vacinas. Será que isso te convence sobre a importância de vacinas as pessoas?

Figura 1: As vacinas têm um importante papel na erradicação das doenças.

 

Um pouco de história: a Revolta da Vacina

O Brasil já esteve no centro de uma polêmica relacionado às vacinas. Isso aconteceu quando o presidente Rodrigues Alves, em 1904, criou um programa de vacinação obrigatória. Esse programa visava conter os surtos de varíola no início do século XX. Organizado pelo médico sanitarista Oswaldo Cruz, as equipes de vacinação eram recebidas com truculência e violência pela população. Isso porque a população temia que a vacina fosse causar algum mal. Nesse caso, a falta de comunicação e esclarecimento à população contribuiu para o episódio conhecido como a Revolta da Vacina. A gente já havia superado essa falta de esclarecimento há mais de 100 anos!

Infelizmente esse tema voltou à tona.

 

Como surgiu o mito de que vacina faz mal?

Essa mito surgiu quando um médico publicou um trabalho em um periódico científico sobre o tema. O médico alegou que a vacina tríplice (aquela que protege contra o sarampo, caxumba e rubéola) poderia estar associada a problemas de interação e comunicação entre os autistas. Somente um único artigo afirmou essa associação.

Descobriu-se, posteriormente, que o artigo continha dados forjados, resultado de um trabalho fraudulento. O trabalho foi, portanto, rejeitado . O médico perdeu sua licença para trabalhar.

O problema é que algum estrago estava feito porque algumas pessoas acreditaram nesse único trabalho forjado. Mesmo que nenhum outro trabalho tenha conseguido encontrar evidências contra o uso das vacinas, as pessoas propagaram esse mito. Grande parte dessas pessoas nem deve saber que o trabalho havia sido anulado por ser uma FRAUDE!

 

O Brasil está em risco novamente

Uma pesquisa em andamento indica que 2017 foi o ano com o menor índice de número crianças vacinadas em comparação aos últimos anos. Já tivemos surto de sarampo em Roraima e no Amazonas, e uma queda de 12 pontos percentuais na taxa de cobertura da vacina tríplice viral. Outras doenças, como a poliomielite (que pode provocar paralisia permanente nas pernas e nos braços), podem se tornar comuns novamente.

O grupo de adeptos contra o uso das vacinas tem aumentado cada vez mais, inclusive no Brasil. Os efeitos já são visíveis: vários surtos de sarampo ocorreram nos Estados Unidos em 2016. Essa era uma doença que já estava controlada no país há anos! Outras doenças que até então não eram mais problema, também têm se tornado mais comuns, como a coqueluche.

 

As vacinas protegem e há várias evidências sobre isso
Figura 2: As vacinas passam por diversos testes para assegurar sua qualidade e eficácia.

Na literatura científica existem milhares de trabalhos com evidências robustas a favor da vacinação das crianças. Diversos cientistas têm dedicado vários anos pesquisando a eficiência das vacinas, e os resultados obtidos têm sido positivos.

 

As vacinas são seguras

As vacinas são testadas de diversas formas antes de chegarem ao mercado. Inúmeros ensaios em laboratórios e muitos anos de estudos são necessários para garantir toda a segurança do processo. Além disso, existe o trabalho árduo de cientistas que trabalham para testar, estudar e melhorar a qualidade das vacinas. Há um rígido controle que ocorre desde a produção e fabricação, até os rigorosos testes de qualidade das vacinas. Antes de acreditar em boatos que circulam em aplicativos de mensagens e redes sociais, que tal procurar uma fonte confiável como um profissional capacitado para uma conversa?

 

Procure um médico, um órgão de pesquisa científica, uma universidade… Só não deixe de vacinar seu filho por conta de mitos e boatos!

 

REFERÊNCIAS

Barata RC, Ribeiro MC, de Moraes JC, Flannery B. Vaccine Coverage Survey 2007 Group. Journal of Epidemiology and Community Health. 2012.

Olive JK, Hotez PJ, Damania A, Nolan MS. The state of the antivaccine movement in the United States: A focused examination of nonmedical exemptions in states and counties. PLOS Medicine. 2018.

Wolfson LJ, Grais RF, Luquero FJ, Birmingham ME, Strebel PM. , Estimates of measles case fatality ratios: a comprehensive review of community-based studies. International Journal of Epidemiology, 2009.

 

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