Precisamos falar sobre a Homeopatia

Uma grande parte da população tem esperanças no avanço da medicina moderna para encontrar a cura e o tratamento para muitas enfermidades. Entretanto, outra parte da população se rende a tratamentos alternativos sem eficácia comprovada.

Por que algumas pessoas preferem adotar uma forma de tratamento que ainda não tem qualquer comprovação científica de sua eficácia? Esse é o caso da homeopatia.

Por que essa prática encontra tantos adeptos, embora sua teoria vá na contramão do que as teorias científicas predizem?

Que tal ler o nosso texto, e se informar mais sobre como funciona (ou deveria funcionar) a homeopatia?

A homeopatia

A homeopatia ganhou muitos fãs pelo mundo. Atualmente, até o SUS tem adotado a prática. Entretanto, até os dias de hoje não há evidências científicas demonstrando a capacidade e eficiência da homeopatia nos tratamentos das mais diversas enfermidades. O National Health and Medical Research Council (NHMRC), uma das organizações médicas mais importantes da Austrália, publicou uma ampla revisão de pesquisas realizadas (mais de 200 estudos) sobre a eficácia da homeopatia. Eles concluíram que o uso de produtos homeopáticos não difere dos resultados do uso de placebos para a cura de doenças (leia as referências ao final do texto).

Eficácia da homeopatia

Como relatado pela NHMRC, os produtos homeopáticos mostraram-se sem eficácia. Isso já foi demonstrado por diversos outros testes laboratoriais. Como nos testes duplo-cego, onde nem o médico e nem o paciente sabem se o que está sendo consumido é o fármaco real ou uma substância inerte (sem eficácia alguma, como uma farinha).

Os efeitos terapêuticos que os pacientes de homeopatia dizem conseguir são provavelmente frutos dos efeitos psicológicos e da crença do paciente. Podem também serem explicados por remissão espontânea. Funciona como a pena do Dumbo, que dava coragem ao pequeno elefante para voar, apenas por aumentar a segurança psicológica do nosso simpático personagem.

É claro que os efeitos psicológicos são muito importantes, principalmente no âmbito das doenças psiquiátricas. Mesmo assim, seria mais adequado um acompanhamento com um psicólogo do que o uso de uma substância que não tem efeito.

Figura 1: Será que a homeopatia funciona mesmo?
O problema com a teoria que explica a homeopatia

Há problemas conceituais com as teorias que explicam a homeopatia. A teoria da homeopatia não mudou nos seus 200 anos, desde a sua criação.

Os estudos que relatam que a homeopatia pode ser eficaz, geralmente tem a qualidade ruim, são mal conduzidos, com falhas sérias em seu delineamento experimental, e sem participantes suficientes. Muitos desses relatos são pobremente detalhados, dificultando a realização dos três passos fundamentais da ciência: teste, refutação e falseabilidade das hipóteses.

Os experimentos que tentam demonstrar os efeitos positivos da homeopatia normalmente não obedecem os rigorosos métodos científicos, como por exemplo, o teste duplo-cego.

Ainda há uma questão de diluição que deixa claro que a probabilidade de existir uma única molécula da substância de determinado “remédio homeopata” é praticamente ZERO.

Uma conta matemática simples…

Um pensamento matemático simples pode demonstrar os problemas relacionadas à homeopatia. De acordo com a constante de Avogrado, qualquer solução tem em 1 mol, exatamente 6 x 1023 moléculas. Muitas soluções usadas na homeopatia têm concentração de apenas 0,1 mol/litro, e essa solução é diluída 1030 vezes. Isso seria como diluir uma gota de solução em um recipiente com mais água do que aquela contida nos oceanos!

Considerando que o número de moléculas na solução inicial é limitado, basicamente você ingere apenas água para combater uma enfermidade!

Fica ainda menos racional, quando ouvimos as explicações dos homeopatas. Eles sugerem que a energia contida nos “princípios ativos” pode se potencializar para aumentar as capacidades curativas da solução diluída. Entretanto, essa energia não é uma unidade mensurável, porque ela não existe.

O uso de métodos alternativos

Usar os métodos alternativos no tratamento de enfermidades não comprovados pode ser ruim para o organismo. As “terapias complementares” podem causar danos graves ao desestimular os pacientes a utilizar o tratamento convencional, por exemplo. Elas também podem lesar o organismo devido a inadequabilidade do tratamento para certas enfermidades.

REFERÊNCIAS

Shang A, Huwiler-Müntener K, Nartey L, Jüni P, Dörig S, Sterne JA, Pewsner D, Egger M. Are the clinical effects of homoeopathy placebo effects? Comparative study of placebo-controlled trials of homoeopathy and allopathy. Lancet. 2005.

Hrobjartsson A, Gøtzsche PC. Is the placebo powerless? An analysis of clinical trials comparing placebo with no treatment. The New England Journal of Medicine. 2001.

National Health and Medical Research Council. Effectiveness of homeopathy for health conditions: evaluation of the evidence. Overview Report. 2015.

Facebook Comments
COMPARTILHAR: