Plásticos biodegradáveis

Os plásticos são fundamentais na sociedade moderna. Quase tudo que consumimos tem plásticos: uma embalagem do refrigerante que você mais gosta ou a capinha moderna do seu celular novo. Do produto mais corriqueiro ao mais audacioso, há a presença de plástico na sua composição. Contudo, como a maioria das pessoas já sabem, o plástico é uma substância muito agressiva ao meio ambiente, pois não são degradados na natureza com grande facilidade (para saber mais acesse o texto: Plásticos e microplásticos: o mal do século). São centenas de anos para que a garrafa de refrigerante que você tomou hoje no almoço se degrade em algo menos poluente. Assim, para contornar esse problema, alternativas foram implantadas. É o caso da reciclagem e a substituição do plástico comum por um plástico biodegradável, compatíveis com a filosofia de preservação ambiental.

Os plásticos biodegradáveis são polímeros que se degradam completamente por ataque microbiano em curto espaço de tempo. Isso occore sob condições apropriadas do meio ambiente. Contudo, apesar das inúmeras possibilidades de aplicações (como embalagens para produtos de limpeza, cosméticos e alimentos, sacos descartáveis, brinquedos, próteses ósseas, etc) e das imensas vantagens trazidas ao meio ambiente, os plásticos biodegradáveis ainda têm participação mínima no mercado internacional. Isso ocorre provavelmente em virtude do seu alto custo em relação aos plásticos petroquímicos e às dificuldades de processamento.

De acordo com Song e colaboradores, o custo para a fabricação de plástico biodegradável poderia chegar em torno de 5 euros por quilo (aproximadamente 20 reais). Por outro lado, para a fabricação do plástico petroquímico, gastava-se em torno de 1,2 euros por quilo (aproximadamente 4,5 reais). Ou seja, um custo a ser considerado.

Para tanto, muitas pesquisas estão sendo conduzidas com o intuito de melhorar o plástico biodegradável, gastando-se pouco. A utilização de microrganismos para a produção de poliésteres simples têm surtido um efeito muito positivo. Na pesquisa de Squilo e Aragão, utilizou-se a bactéria Ralstonia eutropha para a síntese e acúmulo de poliésteres. E isso tem gerado resultados satisfatórios. A cana de açúcar também está sendo estudada como uma possível fonte para o desenvolvimento desses compostos, formando resinas que podem ser utilizadas para a fabricação de plásticos biodegradáveis. Além disso, vários estudos estão sendo conduzidos com o soro do leite e óleos e gorduras para a fabricação a baixo custo dos biodegradáveis.

Além de reduzir os custos de fabricação do plástico biodegradável, outras pesquisas estão sendo realizadas para mostrar as vantagens do uso desse material e quanto essa prática pode favorecer o meio ambiente. Estudos realizados por Mohanty e colaboradores mostraram que os plásticos biodegradáveis são a resposta para uma economia sustentável. Além disso, eles também são importantes como atrativos tecnológicos amigos do meio ambiente.

Essas inovações geradas pelo aperfeiçoamento do plástico biodegradável conduzem para a preservação dos combustíveis fósseis. Além disso, outras vantagens podem ser observadas. A degradação biológica completa do material descartado no ambiente e a redução do volume de lixo é um exemplo. Outro fator é que, com a compostagem natural desse produto, ocorre a redução da liberação de dióxido de carbono, protegendo o ambiente. Em última instância, os resíduos da degradação do plástico biodegradável podem ser aplicados na agricultura convencional.

Microrganismos simples presentes no solo, como a Escheria coli, são os principais responsáveis pela degradação do plástico biodegradável. Isso mostra a facilidade de remoção desse material no meio ambiente, além de liberar resíduos que podem ser reutilizados. Além disso, alguns estudos demonstram a eficiência do processo de degradação dos produtos biodegradáveis. Os plásticos levaram, em média, 180 dias para serem degradados em composteiras caseiras e seus produtos liberados para o meio ambiente.

Apesar do alto custo de fabricação, os produtos biodegradáveis apresentam vantagens interessantes do ponto de vista ambiental. Um exemplo disso é a redução da liberação de dióxido de carbono e do volume do lixo, além da aplicação dos seus resíduos no cultivo de hortaliças. Contudo, a divulgação dos benefícios dos produtos biodegradáveis precisa ser melhor veiculada. Muitas pessoas ainda apresentam um certo receio quando se fala em plástico biodegradável, apesar de todos os pontos positivos. A redução do preço também é um fator importante. Como ocorre atualmente, pesquisas e técnicas precisam ser aprimoradas, para que os biodegradáveis possam fazer ainda mais parte da nossa vida, com um preço reduzido. Assim, é primordial a educação e conscientização da importância desses produtos para o meio ambiente. Quem sabe, dessa forma, possamos entrar em equilíbrio com a natureza.

 

REFERÊNCIAS

Gross RA, Kalra B. Biodegradable polymers for the environment. Science, 2002.

Mohanty AK, Misra M, Hinrichsen G. Biofibres, biodegradable polymers and biocomposites: an overview. Macromolecular Materials and Engineering, 2000.

Song JH, Murphy RJ, Narayan R, et al. Biodegradable and compostable alternatives to conventional plastic. Philosophical Transactions of the Royal Society B, 2009.

Squio CR, Aragão GMF. Estratégias de cultivo para produção dos plásticos biodegradáveis POLI (3-hidroxibutirato) e POLI (3-hidroxibutirato-co-3-hidroxivalerato) por bactérias. Química Nova, 2004.

Suyama T, Tokiwa Y, Ouichanpagdee P, et al. Phylogenetic affiliation of soil bacteria that degrade aliphatic polyesters available commercially as biodegradable plastics. Applied and Environmental Microbiology, 1998.

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