Para onde vai o nosso lixo?

Um dos grandes desafios da sociedade moderna é a disposição final ambientalmente segura dos resíduos sólidos. De maneira geral, existem dois destinos principais do lixo gerado pela sociedade: os lixões e os aterros sanitários. Ambos apresentam problemas como a contaminação do solo, do lençol freático e a proliferação de macro e micro vetores.

O que são resíduos sólidos?

Resíduos sólidos são aqueles dejetos que se encontram em estado sólido ou semi-sólido, que resultam de atividades antrópicas. Podem ser de origem industrial, doméstica, hospitalar, comercial, agrícola, de serviços e de varrição. Também estão incluídos os lodos provenientes do sistema de tratamento de água (aqueles gerados em equipamentos e instalações para controle da poluição). E, por último, os líquidos com partículas que não podem ser lançados na rede de esgoto.

Um pouco de história…

Questões relacionadas com os resíduos sólidos têm se mostrado prioritárias a partir da Conferência Rio 92. Tanto os países mais ricos como os mais pobres se comprometeram com o tema, justamente porque a destinação final dos resíduos pode levar à poluição e à proliferação de vetores nocivos à saúde.

Entretanto, em tempos mais recentes, a quantidade de lixo gerada tem sido grande e seu mau gerenciamento pode provocar danos à saúde, ao meio ambiente e à economia. Por isso, nos últimos anos, vem crescendo, e cada vez mais, os estudos nessa área. O assunto tem se tornado foco de debates em várias áreas do conhecimento e sua importância crescente deve-se, principalmente a:

  1. Grande quantidade de lixo gerada: segundo estudos, o índice per capita brasileiro está em torno de 0,50 a 1,00 kg/hab/dia.
  2. Gastos financeiros: no Brasil, em média, os serviços de limpeza demandam 7% a 15% do orçamento dos municípios.
  3. Impactos à saúde e ao meio ambiente: a destinação final inadequada pode levar à contaminação do ar, água, solo e à proliferação de vetores causadores de doenças.
Figura 1: O destino inadequado do lixo pode resultar na poluição do solo.
Mas, qual o destino do nosso resíduo sólido?

O destino dos resíduos sólidos compreende um problema atual que afeta principalmente as grandes metrópoles. Cerca de 59% dos municípios brasileiros destinam seu lixo aos lixões. Isso se deve às grandes dificuldades enfrentadas pelos gestores municipais, como: limitação financeira, falta de capacidade técnica e profissional e descontinuidade política. Além disso, os lixões apresentam menor custo, exigindo poucos equipamentos e mão de obra pouco especializada.

Contudo, em termos ambientais, os lixões agravam a poluição do ar, da água e do solo. Quando os pontos de descarga de lixo estão em encostas, o problema é ainda mais grave. Com a instabilidade do solo causada pela sobrecarga de peso e absorção temporária da água da chuva, pode ocorrer o deslizamento de terra, provocando danos ainda mais sérios.

Já em termos sociais, os lixões podem ser atrativos para a população de baixa renda, que buscam uma alternativa de trabalho através da reciclagem. No entanto, essas pessoas estão sujeitas a condições insalubres e sub-humanas, podendo comprometer a sua saúde.

Podemos recuperar essas áreas degradadas por deposição de lixo?

Teoricamente, as áreas degradadas por lixo podem ser recuperadas através da remoção dos resíduos sólidos. Estes devem ser transportados para um aterro sanitário e a área degradada deve receber solo natural da região. Mas, esse trabalho envolve um custo elevado, o que dificulta a sua ação. Assim, soluções mais simples para minimizar o problema são adotadas, tais como:

  1. Encerrar a operação dos lixões: essas regiões podem ser requalificadas ambientalmente, reduzindo os impactos ambientais negativos e dando uma nova finalidade para a área.
  2. Transformação de um lixão em aterro sanitário: recuperação gradual da área mantendo a sua operação. Isso pode prolongar a vida útil da área, minimizando os impactos ambientais.

A segunda alternativa, geralmente, é a mais adotada pelos municípios. Entretanto, a transformação de um lixão em aterro também pode gerar problemas sanitários e ambientais. Assim, para combater os problemas sanitários, medidas são adotadas, tais como: a movimentação e conformação da massa de lixo, eliminação da fumaça e do fogo e limpeza da área. Já as questões ambientais são tratadas através de ações como: drenagem da água superficial; drenagem, coleta e tratamento dos gases e do chorume; cuidados para minimizar a contaminação do lençol freático.

Existe alguma alternativa?

Alguns métodos para a recuperação dos resíduos sólidos são a reciclagem e a compostagem. Na reciclagem, os materiais que seriam destinados ao lixo são reutilizados como matéria-prima na manufatura de bens. Esse método é importante pois pode preservar os recursos naturais, reduzir a poluição do ar e água, diminuir a quantidade de lixo a ser aterrada e ainda gerar empregos. Um ponto negativo é a diminuição da qualidade técnica do material reciclado.


Figura 2: A reciclagem se mostra como uma alternativa para a redução de lixo.

Já a compostagem (fabricação de compostos orgânicos a partir do lixo) é um método de decomposição do material orgânico para obter um composto orgânico (húmus) para o uso na agricultura. Apesar de ser um método de tratamento, esse procedimento também pode ser entendido como uma reciclagem do material orgânico do lixo.

Uma outra alternativa seria o aterro controlado. Esse processo é menos prejudicial que os lixões pois os resíduos dispostos no solo são recobertos com terra, reduzindo a poluição local. Contudo ainda são menos eficientes que os aterros sanitários porque a massa de lixo em decomposição não é inertizada.

Como pode-se perceber, todas as formas alternativas para a disposição dos resíduos sólidos apresentam vantagens e desvantagens. A redução do consumo poderia ser uma alternativa interessante. Com essa redução, menos lixo seria produzido e descartado no ambiente, aumentando as chances de sucesso do gerenciamento de resíduos, e contribuindo para a diminuição da poluição do solo, ar e água.

REFERÊNCIAS

Alberte EPV, Carreiro AP e Kan L. Recuperação de áreas degradadas por disposição de resíduos sólidos urbanos. Diálogos & Ciência. 2005.

Cunha V e Caixeta Filho JV. Gerenciamento da coleta de resíduos sólidos urbanos: estruturação e aplicação de modelo não-linear de programação por metas. Gestão e Produção. 2002.Jacobi PR e Besen GR. Gestão de resíduos sólidos em São Paulo: desafios da sustentabilidade. Estudos avançados. 2011.


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