Olho no olho: risco de desenvolver Alzheimer?

Cientistas do Boston Medical Center reportaram algo importante sobre os níveis de b-amilóide e tau (duas proteínas comumente alteradas em pacientes com a doença de Alzheimer). Os pesquisadores descobriram que o acúmulo dessas proteínas nos olhos está associado com o risco aumentado de se desenvolver Alzheimer no futuro. Isso significa diagnóstico precoce, com maiores chances de se preservar funções cognitivas importantes.

A doença de Alzheimer é uma forma de demência com perda progressiva de memória. A memória recente, em geral, é afetada primeiro, e os sintomas progridem até que o paciente não consiga realizar funções básicas sozinhos ou não reconheça mais parentes próximos. Atualmente, os tratamentos disponíveis tentam impedir ou desacelerar o avanço da doença. Ainda não existe cura para a doença, embora novos medicamentos e tratamentos têm surgido e dado esperança, como já falamos aqui no Eureka!

Quando familiares e amigos notam a perda de memória e suspeitam de Alzheimer, alterações cerebrais importantes já ocorreram.

Como o tratamento atual visa estabilizar a doença e frear a progressão dos sintomas, o diagnóstico precisa ser precoce para se evitar o máximo da perda de função cognitiva. No entanto, como suspeitar de uma doença que ainda não tem sintomas graves?

Já se sabe que as proteínas b-amilóide e tau se acumulam no tecido nervoso muito antes dos sintomas aparecerem. São, portanto, biomarcadores da doença. É possível medir os níveis dessas proteínas no líquido cefalorraquidiano. Esse líquido preenche espaços do cérebro e também está em espaços medulares. Para isto, é necessário fazer uma punção lombar e coletar o líquido na medula espinhal. É importante lembrar que este é um procedimento caro e incômodo para o paciente.

O resultado do grupo de Boston dá esperança porque mostra que o diagnóstico pode ser feito a partir da análise do fluido ocular, também chamado de vítreo.

Os cientistas testaram amostras de vítreo obtido de pacientes que foram submetidos a cirurgia ocular. Estes pacientes também foram submetidos a um teste cognitivo. Pacientes que apresentaram baixos níveis das proteínas no vítreo foram os mesmo que apresentaram menor score cognitivo.

Ficaremos na expectativa que esses resultados se traduzam em uma ferramenta diagnóstica precisa para detectar o mais breve possível novos casos desta doença que se torna cada vez mais comum no Brasil e no mundo!

REFERÊNCIA

Wright LM, Stein TD, Jun G, et al. Association of Cognitive Function with Amyloid-β and Tau Proteins in the Vitreous Humor. Journal of Alzheimer’s Disease. 2019.

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