Neuromitos da educação

O que são neuromitos?

Neuromitos são divulgações de interpretações equivocadas sobre a ciência do cérebro. Boa parte dessa divulgação se deve à popularização dessas informações pela mídia, seja por meio de generalizações ou por informações parciais sobre as descobertas neurocientíficas. Essas divulgações tornaram-se mais comuns após a neurociência ter ficado mais evidente na mídia durante década do cérebro (1990).

Nesse panorama de crescentes descobertas e divulgação massiva pela mídia, é evidente que falar sobre o cérebro tornou-se mais próximo do cotidiano das pessoas em geral. O que o cérebro faz? Usamos todo o nosso cérebro? Como fazer para as crianças aprenderem melhor?

Assim, surge um fenômeno chamado “neurofilia”, ou seja, apetite por informações neurocientíficas. Uma análise realizada mostrou que a maioria das dos artigos publicados por revistas de medicina são da área de neurologia, quase 30% dos episódios de Dr. House são sobre condição neurológica (mesmo não sendo a especialidade principal do mesmo) e 20% dos livros mais vendidos da Amazon também são sobre neurologia. Tudo que tem o prefixo “neuro” chama mais atenção e pode até ser considerado por alguns como “mais científico”: neuromania, neurobebidas, neuroinformação… neurobobagem!

Talvez o problema principal dessa neuromania e dos neuromitos seja a busca por receitas mágicas para condições complexas, quando a utilidade neurocientífica na verdade demanda muito estudo e ainda têm limitações de aplicação.

 

Neuromitos podem ser prejudiciais na educação?

A credibilidade conferida pela neurociência atinge também o campo educacional. Na tentativa de melhorar a educação, muitos educadores acabam acreditando em estratégias supostamente baseadas em neurociência para melhorar a educação.

Por exemplo:

  • Algumas pessoas acreditam que ginástica cerebral pode turbinar o cérebro.
  • Há ainda aqueles que acreditam que bebês que ouvem Mozart desenvolvem mais a inteligência.
  • Ou, os educadores que ensinarem os alunos de forma congruente com seus estilos de aprendizagem aprenderão melhor.

Todos esses neuromitos já foram desmitificados em artigos científicos. Entretanto, muitas vezes, a população geral não tem acesso a artigos científicos. Por isso, iniciativas de cientistas em divulgar ciência, como o Eureka Brasil, é uma das alternativas para traduzir essas informações em linguagem acessível, mantendo a qualidade da informação.

 

Qual o problema em acreditar em neuromitos no campo educacional?

Investe-se tempo e dinheiro em treinamentos para incorporar as práticas em sala de aula. Assim, há um desperdício de recursos, já que essas estratégias estão fadadas ao fracasso. Por exemplo, na Irlanda do Norte, uma grande reforma educacional, supostamente baseada em neurociência fracassou a frustrou muitos educadores. Essa reforma preconizava que as atividades propostas pelos educadores estimulassem os dois hemisférios do cérebro (como se os hemisférios não trabalhassem em conjunto) e que os professores respeitassem e ensinassem de acordo com o estilo de aprendizagem dos alunos. Entretanto, não houve melhora na no desempenho dos alunos.

           Figura 1: Algumas informações parecem ser verdadeiras, quando de fato, não são.

 

Como combater os neuromitos?

É preciso alfabetizar cientificamente a população.

Iniciativas que visam divulgar ciência, mostrando a informação incorreta e explicando porque aquele fato não é verdadeiro, parece ser um dos caminhos possíveis.

Uma das ações que visam combater neuromitos é o Projeto “Caçadores de neuromitos”.

Atualmente, ainda está no ar uma Campanha de financiamento coletivo do livro Caçadores de Neuromitos KIDS. A campanha vai até dia 10 de julho e lá você pode colaborar comprando o livro com frete grátis. O livro conta a história dos Caçadores de Neuromitos combatendo o Neuróquio (neologismo da palavra NEUROciências + PinóQUIO), um monstro que espalha mentiras por aí. A arma de combate é uma poção mágica chamada EVIDENCIOL, ou seja, as evidências científicas. O livro objetiva divulgar neurociências para o público infanto-juvenil.

Figura 2: Capa do livro “Caçadores de neuromitos KIDS: em busca da verdade sobre o cérebro”.

REFERÊNCIAS

Dekker S, Lee NC, Howard-Jones P, & Jolles J. Neuromyths in education: Prevalence and predictors of misconceptions among teachers. Frontiers in psychology.  2012.

Fuller GN. Neurophilia: a fascination for neurology—a new syndrome. Pratical Neurology. 2012

Ekuni R, Pompeia S. O impacto da divulgação científica na perpetuação de neuromitos na educação. Revista da Biologia . 2016.

Pasquinelli E. Neuromyths> Why do they exist and persist? Mind Brain and Education . 2012.

Purdy N, & Morrison H. Cognitive neuroscience and education: unravelling the confusion. Oxford Review of Education.  2009.

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