Garotos, vacinem-se contra o HPV!

No ano de 2017, o Ministério da Saúde alterou o público-alvo da vacinação contra o vírus HPV. Agora, meninos de 12 a 13 anos devem tomar a vacina contra esse vírus, imunizando-os de diversas doenças. Afinal, garotos também tem HPV.

No entanto, alguns garotos podem se perguntar o motivo deles terem que tomar essa vacina, pois acreditam que o HPV só ataca mulheres.

Bem, caro leitor, infelizmente essa informação equivocada se espalhou entre as pessoas. Tanto homens quanto mulheres estão sobre a mira desse temível vírus. Acompanhe…

 

O que é o HPV?
Figura 1: Representação do HPV.

A sigla HPV se refere ao nome do vírus, o papiloma vírus humano (human papilloma virus, em inglês), responsável pela doença sexualmente transmissível mais comum entre a população, principalmente a jovem: o condiloma acuminado, também conhecido como crista de galo ou verruga venérea. Essa doença caracteriza-se pelo aparecimento de verrugas na região genital de homens e mulheres.

O contágio ocorre nas relações sexuais sem proteção, onde o vírus presente no pênis, vagina, ânus ou boca passa de um parceiro para o outro. O simples contato da pele contaminada com uma sadia pode transmitir o vírus. Isso porque o HPV tem grande preferência pelo tecido epitelial. Além disso, a transmissão da mãe para o bebê  pode ocorrer durante a gravidez e no momento do parto normal. Essa transmissão acontece quando o bebê entra em contato com as lesões causadas pelo vírus presentes no canal vaginal.

Nos últimos anos, o vírus HPV ficou muito conhecido pela capacidade de desenvolver câncer nas pessoas em que parasita. Nas mulheres, ficou famoso por causar o câncer de colo de útero. No entanto, não é apenas ali que ele pode desencadear essa doença.

 

O HPV e os cânceres

O desenvolvimento de um câncer  acontece mais ou menos da mesma forma. Falarei sobre uma um visão geral desse processo, mas não se esqueça que cada tipo de câncer tem suas especificidades, o que influencia no seu aparecimento e desenvolvimento no corpo humano. Além disso, as condições do organismo tem grande influência nesse processo. Por causa de mutações congênitas ou adquiridas (advindas da radiação, por exemplo), as células começam a se dividir de forma descontrolada, criando o que se chama de tumores. Esses tumores crescem, comprometendo os tecidos e órgãos próximos. Se caso essas células tumorais se e espalharem pelo corpo, outros cânceres que surgirem são chamados de metástase.

Vírus também são causadores de mutações genéticas.

Lembrando rapidamente das aulas de Biologia, esses agentes penetram nas células para se reproduzir. Eles tomam o controle da maquinaria celular para produzir várias cópias de si mesmos.

O DNA viral pode se misturar ao DNA celular e ficar ali, “adormecido”. E é aí que o perigo começa. Com as divisões celulares, o DNA viral é espalhado e, em algum momento, ele começa a agir no metabolismo celular, estimulando a produção de proteínas que regulam oncogenes (genes responsáveis pelo desenvolvimento de tumores) e, consequentemente, o desenvolvimento desses tumores.

Dos mais de 150 sorotipos do HPV, 40 são conhecidos por infectar o trato anogenital humano. Desses, 13 são considerados oncogênicos. Em seres humanos, o câncer de colo de útero não é o único, embora seja o mais conhecido. Além dele, o HPV pode causar câncer na vulva, vagina, ânus, boca, laringe e pênis. Ou seja, homens também podem desenvolver câncer a partir de uma infecção por HPV!

Um estudo dos pesquisadores americanos Broomall, Reynolds e Jacobson de 2010, aponta que o HPV está associado com 90 a 93% dos cânceres anais, 12 a 63% dos cânceres da orofaringe (garganta), 36 a 40% dos casos de câncer do pênis, 40 a 64% dos cânceres vaginais e 40 a 51% dos casos de câncer na vulva.

 

Conhecer para se prevenir

Agora voltamos ao questionamento do início desse texto.

Muitos garotos podem ter ficados surpresos ao saberem da vacinação, mas ela não é sem motivo. A justificativa do Ministério da Saúde para a inclusão de meninos no público-alvo da vacina é a prevenção dos cânceres nesse grupo. Além disso, a vacinação também reduz a contaminação dos parceiros sexuais, já que a população jovem não usa o preservativo em todas as relações sexuais.

Jurberg e seus colaboradores fizeram um levantamento em 2015 com alunos do 9º ano de uma escola pública do Rio de Janeiro. Os pesquisadores averiguaram que o conhecimento dos estudantes sobre o HPV e as doenças causadas por ele era muito baixo. Os garotos se consideram imunes, pois crêem que apenas mulheres podem se infectar. A falta de conhecimento coloca esses jovens em maior risco de contágio. Os autores ainda extrapolaram seus dados, estimando que jovens de todo o Brasil continuam a desconhecer o assunto.

Figura 2: O uso do preservativo é fundamental para a prevenção do HPV e outras DSTs

Diante dessa realidade, diversos cientistas afirmam que é necessário uma grande programa de educação para a saúde entre a população. Com relação ao HPV, a população-alvo da vacina deve conhecer os perigos do contágio pelo HPV. Deve haver conscientização sobre a vacina e o uso do preservativo em todas as relações sexuais. Em conjunto isso aumenta a prevenção de todas as DSTs e da gravidez indesejada.

O conhecimento deve ser espalhado, evitando desinformações como a de que o HPV só pega em mulheres seja disseminado e provoque aumento nos casos de cânceres causados por esse vírus. E o HPV é fácil e gratuito de evitar, pois tanto a vacina quanto os preservativos são oferecidos gratuitamente nos postos de saúde.

 

REFERÊNCIAS

Brasil. Ministério da Saúde. Nota Informativa nº 311 : informa as mudanças no Calendário Nacional de Vacinação para o ano de 2017.

Broomall EM, Reynolds SM, Jacobson RM. Epidemiology, clinical manifestations, and recent advances in vaccination against human papillomavirus . Postgrad Med. 2010.

Costa AG et al. HPV – O que eles sabem: avaliação com alunos do ensino superior e profissionais de saúde – município de Valença – RJ.  Brazilian Journal of Surgery and Clinical Research. 2017.

Jurberg C. et al. Conhecimento sobre o HPV entre adolescentes durante a campanha de vacinação.  Adolescência & Saúde. 2015.

Nascimento RPM; Silveira AC; Oliveira CMAA. Eficácia da imunização por vacinas contra o papiloma vírus humano . In: Congresso Brasileiro de Ciências da Saúde, 1, 2016, Campina Grande, Anais. Campina Grande: CEMEP/UFCG/UEPB. 2016.

Oliveira LMPP; Andrade VA. Uma Contribuição do Ensino de Ciências para a discussão e a prevenção do HPV no contexto do Programa de Educação de Jovens e Adultos. Revista Práxis. 2016.

Olivero JL et al. Infecção por Papilomavírus Humano (HPV): aspectos gerais.  Revista Científica da Faculdade de Educação e Meio Ambiente. 2016.

Pereira LB, Braga LNG, Silva EAA. Conhecimento de Adolescentes Estudantes sobre HPV e prevenção . In: Congresso Brasileiro de Ciências da Saúde, 2, 2017, Campina Grande, Anais. Campina Grande CEMEP/UFCG/UEPB, 2017.

Silva R. Quando a escola opera na conscientização dos jovens adolescentes no combate às DSTs. Educar em Revista. 2015.

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