A força dos terremotos

Terremotos são eventos na crosta terrestre devido a ruptura repentina de rochas. A força dos terremotos está associada a fortes tensões o que libera grande quantidade de energia na forma de ondas sísmicas. Os geofísicos usam diferentes técnicas para determinar a velocidade dessas ondas nas rochas. Esses cientistas conseguem determinar onde aconteceu o terremoto e a que profundidade. A localização não é única informação relevante do ponto de vista científico, conhecer qual é a energia liberada nesses eventos é também fundamental para a compreensão dos terremotos, especialmente em relação a previsão do sismo.

Imagine um terremoto em uma grande cidade. Nas ruas, as pistas oscilando e rachando deixaria você em pânico. O som dos prédios desabando, as vidraças dos prédios “explodindo” criaram nuvens momentâneas de vidro. Nas casas, pessoas sendo expulsas de suas camas, quedas de energia. Além de pontes desabando e tsunamis em regiões litorâneas.

A descrição acima caberia perfeitamente em muitos filmes hollywoodianos sobre desastres naturais. Essa visão catastrófica ajuda muitas vezes a ter uma noção mais humana da força de um terremoto. Para a ciência, essas informações também são importantes. Descrição como a encontrada na obra de Cândido de Voltaire, na qual o autor usou alguns relatos do grande terremoto de Lisboa, em 1755, foram importantes para o fortalecimento das ideias iluministas. Onde as explicações racionais começaram a prevalecer sobre as crenças religiosas superstições.

 

Sempre que um grande terremoto aparece nos noticiários, você provavelmente ouvirá sobre sua classificação na escala Richter. Saiba que existe uma outra escala de classificação, menos noticiada, chamada Mercalli. Estas duas classificações representam, em números, o poder do terremoto de duas perspectivas diferentes.

 

Escala Richter

A escala Richter foi desenvolvida em 1935 por Charles F. Ricchter. Ela é usada para avaliar a magnitude ou a energia liberada de um terremoto através das informações coletadas por sismógrafos. Esta escala usa um padrão logarítmico, o que significa que cada aumento de um ponto na escala representa um aumento de 10 vezes na amplitude da onda sísmica do terremoto*. Por exemplo: um terremoto que possui uma magnitude de 7 na escala Richter libera 10 vezes mais energia que um de magnitude 6, e 100 vezes um na escala 5.

Apesar do impacto devastador de um terremoto de grande magnitude, eles tem uma frequência de ocorrência muito baixa. A maioria dos terremotos tem uma magnitude extremamente pequena, menos que 3 na escala Richter. Esses terremotos mal são percebidos. Apenas cerca de 15% de todos os eventos sísmicos tem intensidades maiores que 2. Dentro desses percentual encontram-se, ainda menos frequentes, eventos com potenciais de destruir cidades, como mostrados na Figura 1.

Figura 1: Relação entre magnitude (a esquerda) e liberação de energia por terremoto (a direita) e número de terremotos por ano (centro), além de outras grandes fontes de energia.

O maior terremoto que se tem registro aconteceu no Chile em 1960. O terremoto teve magnitude estimada de 9,5. Ele matou quase 1.900 pessoas e causou cerca de 4 bilhões de dólares em valores de hoje.

A escala Richter dá uma ideia aproximada do impacto real de um terremoto. Porém, o poder destrutivo de um terremoto varia dependendo da composição das rochas e do solo. Para esta avaliação do dano, usamos a escala Mercalli.

 

Escala Mercalli

Esta escala é composta de níveis crescentes de intensidade que variam de agitação imperceptível a destruição catastrófica. Esta gradação é designada por algarismos romanos. Não possui uma base matemática, em vez disso, um ranking arbitrário baseado em efeitos observados.

O valor da escala Mercalli para um local é atribuído após um terremoto. Como ela é baseada nas consequências do evento, é medida mais significativa para não-cientistas e para operações de emergências.

Um terremoto de baixa intensidade, em que apenas algumas pessoas sentem a vibração e não há danos materiais significativos, é classificado como um II. A classificação mais alta, um XII. Neste caso o causou destruição de estrutura, o solo foi rachado e ainda causou outros desastres naturais, como deslizamento de terra ou tsunamis são iniciados.

 

As classificações da escala Richter são determinadas logo após um terremoto, uma vez que os cientistas podem comparar os dados de diferentes estações sismográficas. Já a classificações de Mercalli não podem ser determinadas até que os investigadores tenham tempo de conversar com muitas testemunhas oculares para descobrir o que ocorreu durante o terremoto. Uma vez que eles tenham uma boa ideia do alcance do dano, eles usam os critérios da Mercalli para decidir sobre uma classificação apropriada. A figura 2 faz uma comparação entre as duas escalas.

Figura 2: Comparativo das escalas Richter e Mercalli

 

Previsão dos Terremotos?

Apesar da grande quantidade de informação sobre os mecanismos que geram o terremoto, ou mesmo, da grande quantidade de dados que foi possível coletar de inúmeros eventos, podemos, no máximo, indicar zonas com possibilidade de eventos. Tais zonas são próximas às placas tectônicas, como mostra o mapa abaixo, porém somos incapazes de informar quando, exatamente onde e a qual será sua intensidade.

Figura 3: Mapa com a localização e magnitude na escala Richter dos terremotos em 2017.

Boa parte das pesquisas envolvidas procuram informações que possam indicar quando um terremoto acontecerá. Algumas pesquisas apontam para flutuações do campo magnético da Terra, flutuações da densidade eletrônica e sinais de rádio. Até mudança do comportamento de animais podem ser usadas como indicadores que um terremoto ocorrerá. No entanto, nenhuma dessas propostas tem uma resposta significativa a ponto de sermos capazes de prever o próximo grande ou pequeno evento.

 

*A energia transportada por uma onda é proporcional ao quadrado de sua amplitude, assim sendo, ela é 101.5 vezes a sua amplitude, e portanto, cada unidade de magnitude representa um aumento de quase 32 vezes na energia (força) de um terremoto.

 

REFERÊNCIAS

Press F, Sieve R, Grotzinger J, Jordan TH. Understanding Earth, 4/e. New York, NY : W.H. Freeman and Company. 2004

Grant R, Raulin J, Friedemann T. Changes in animal activity prior to a major (M =7) earthquake in the Peruvian Andes. Physics and Chemistry of the Earth, Parts A/B/C. 2015.

U.S Geological Survey. The Science of Earthquakes. acessado em 13/06/2018

 

 

 

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