Eureka Entrevista: a divulgadora científica, Mara Figueira

Com o objetivo de suprir as carências da divulgação científica, diversos profissionais tem se esforçado pra contribuir em diferentes frentes. Mara Figueira é a autora do livro “Os menores bichos do Brasil”. O livro promete ganhar a simpatia dos jovens leitores e atraí-los para se aventurar entre os pequenos seres que caminham nas nossas matas tupiniquins.

Mara Figueira

Mara Figueira é formada em jornalismo pela Universidade Federal do Rio de Janeiro. Ela é pós-graduada em comunicação organizacional integrada pela Escola Superior de Propaganda e Marketing. Ela se dedicou à divulgação científica durante dez anos quando publicou textos em jornais como O Globo e Folha de São Paulo, além de publicações especializadas como Ciência Hoje e Viver, Mente & Cérebro.

Então, vamos conhecer mais sobre o trabalho da Mara Figueira?

 

Conte-nos mais sobre sua experiência com divulgação científica:

Mara Figueira: Trabalhei com ciência para diferentes veículos e canais ao longo de dez anos. Hoje, atuo com comunicação organizacional integrada em uma grande empresa nacional. Porém, o interesse e o gosto pela ciência permanecem agora como hobby. Como jornalista, cobria diferentes áreas da ciência e escrevia tanto para crianças quanto adultos, seja em sites, jornais e revistas. Essa produção, em muitas ocasiões, foi reproduzida em livros didáticos.

 

Como surgiu a oportunidade de trabalhar com ciência? Como você enveredou para a área do jornalismo voltado para a divulgação científica?

Mara Figueira: Meu interesse pela divulgação científica surgiu ainda na faculdade, quando comecei a trabalhar na revista Ciência Hoje. Nunca havia pensando em trabalhar com cobertura de ciência, porém, um novo mundo se abriu ao iniciar esta experiência profissional. Aprendi que cobrir ciência é desafiador e que um bom repórter de ciência é capaz de trabalhar com qualquer tema. É como cobrir economia: trata-se de um campo mais especializado e, portanto, que exige mais do profissional.

Fazer uma boa matéria jornalística sobre ciência é capaz de mostrar se somos, de fato, bons repórteres ou não: se sabemos realmente apurar as informações e transmiti-las com a clareza necessária para o grande público, mas também com o rigor científico preservado. Além do desafio em si de cobrir uma área específica como esta, o que mais me atraiu foi a sensação de contribuir com a sociedade. Como também tive a experiência de trabalhar na revista Ciência Hoje das Crianças, me instigava e me motivava saber que estava contribuindo com a formação de pequenos leitores ao desenvolver o gosto pela ciência. Cobrir ciência também significa aprender diariamente: a cada nova pauta, um novo aprendizado se dá. Então, trabalhar com divulgação científica nos leva a um caminho de desenvolvimento pessoal próprio, que também é gratificante.

 

Fale um pouco sobre como surgiu a ideia de escrever esse livro.

Mara Figueira: A ideia surgiu há cerca de dez anos, mas só saiu da gaveta recentemente. Como jornalista, por meio do contato com os pesquisadores, acabei conhecendo estes bichos pequeninos da nossa fauna, que se destacavam por estar entre os menores do mundo ou do nosso país. Cheguei a escrever algo sobre uma ou outra espécie, mas era sobre um bicho de cada vez. Ou seja, uma matéria sobre o tamanduaí aqui, outra sobre os sapinhos-pingos-de-ouro lá… Então, veio a ideia de fazer uma matéria que reunisse um conjunto deles, que escrevi para um jornal. Para fazer o texto, entrevistei muita gente e acabei obtendo um volume enorme de informação. Porém, por conta do espaço limitado do jornal, muitos dados acabaram ficando de fora. Como jornalista, eu sempre quis escrever um livro. Então, juntei as duas coisas: resolvi escrever um livro sobre os menores bichos do Brasil e contribuir para que as pessoas também os conhecessem.

 

Por que você escolheu o público infanto-juvenil como alvo?

Mara Figueira: É um público com o qual me identifico, pela oportunidade que me dá de fazer um texto mais leve e descontraído. Além disso, me sinto contagiada pelo entusiasmo e paixão que demonstram pelos animais e por sua conservação. Quero contribuir para que as crianças conheçam nossa fauna, se enterneçam com estas espécies, saibam que elas existem e que precisam de proteção. Acredito ainda que é fundamental falar sobre ciência para os pequenos, demonstrando, inclusive, que ciência pode ser profissão. Não é à toa que, no livro, dedico um capítulo para falar como é o trabalho dos pesquisadores que estudam os menores bichos do Brasil. Esta é uma pequena contribuição que dou para, quem sabe, despertar algum desejo de trabalhar com pesquisa ou com conservação destas ou de outras espécies.

Figura 1. Brachycephalus sulfuratus (sapo-pingo-de-ouro) por Thais Condez.

 

Você tem parceiros especialistas que são revisores técnicos do livro em diversas áreas temáticas. Qual o papel deles no livro? Como surgiu essa parceria?

Mara Figueira: Este livro não teria existido sem a generosidade dos pesquisadores que me auxiliaram. Henrique Caldeira Costa, Jacques Delabie, Thais Condez, Flavia Miranda e Marcos Tortato aceitaram embarcar comigo nesta aventura, me auxiliando não só com o seu conhecimento sobre cada espécie do livro, mas também cedendo fotos de sua própria autoria ou indicando pessoas com as quais eu poderia consegui-las. A estes pesquisadores, que cederam fotos, eu também tenho enorme agradecimento: Gabriela Cabral Rezende, M.G.M. Van Roosmalen, Maurice Leponce e Ricardo Romero. Todos auxiliaram com o intuito de fazer a obra existir e com o propósito de contribuir para a divulgação científica. Assim, este livro é a soma de todas estas contribuições.

 

Quanto tempo demorou entre a ideia surgir e o livro ficar pronto e disponível para download?

Mara Figueira: A ideia surgiu por volta de 2008, mas ficou engavetada até 2017, quando retomei contato com os pesquisadores, que me auxiliaram a obter as fotos e a revisar e atualizar todo o conteúdo que eu tinha previamente apurado. Em maio de 2017, o nosso site (www.osmenoresbichosdobrasil.com.br) foi para o ar, junto com as nossas redes sociais (fizemos até um resumo do livro no Instagram, inspirados na ação Leia Para Uma Criança, disponível AQUI. Agora, em junho de 2018, após meses de trabalho de diagramação, publicamos o livro em PDF, diagramado, para download gratuito. É nossa primeira edição on-line, mas já estamos trabalhando na segunda edição, pois o aperfeiçoamento é contínuo. Como se diz no mundo da inovação, não há versão final, estática: somos sempre beta, em constante atualização.

Figura 2. Cyclopes didactylus (Tamanduaí) por Flávia Miranda.

 

Qual a maior dificuldade você enfrentou no processo de escrita e produção do livro?

Mara Figueira: Tivemos duas principais dificuldades no projeto – e uma delas ainda não conseguimos superar. A primeira foi encontrar boas fotos da formiga-gigante-da-Mata-Atlântica e das espécies de gato-do-mato que citamos no livro (inclusive, ainda temos esta demanda. Se algum pesquisador tiver e quiser nos ceder fotos do L. guttulus e do L. tigrinus, nós ficaríamos muito gratos!). Para se ter uma ideia, a foto da formiga-gigante-da-Mata-Atlântica, que há no livro, veio da Bélgica. A foto foi cedida pelo pesquisador Maurice Leponce, gentilmente indicado pelo professor Jacques Delabie. A outra dificuldade foi explicar em uma linguagem que seja acessível para as crianças, mas ainda assim com exatidão científica, as principais características dos animais, inclusive o fato de há espécies com o mesmo nome popular, mas que são espécies diferentes, geneticamente distintas.

 

Quais são os próximos passos do projeto?

Mara Figueira: Temos muitas iniciativas em mente: por exemplo, criar conteúdo que vá além do livro em si, como atividades para professores e para crianças que fiquem disponíveis no site, além de vídeos (já colocamos no ar alguns podcasts). Mas o nosso principal desejo é entrar em gráfica e ter o livro impresso. Esta é uma demanda que temos recebido em nossas redes sociais. Ainda não conseguimos concretizar este anseio, mas, de forma independente, estamos batalhando para realizá-la, inclusive avaliando a possibilidade de lançar uma ação de financiamento coletivo.

 

Bem legal a iniciativa da Mara Figueira, não é pessoal? Para saber mais sobre essa iniciativa acesse:  Os Menores Bichos do Brasil.

 

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