Aquífero Guarani: nossa maior riqueza subterrânea

A água é, sem dúvida, um dos principais recursos necessários para que a vida exista. Todos os seres vivos buscam por esse recurso. A água está presente no ar, nos rios, lagos, mares e no subterrâneo. Estima-se que 4,1% de toda a água do planeta está sob o solo, constituindo uma das principais reservas estratégicas desse recurso. Uma boa parte desse recurso está debaixo do nosso querido Brasil: o aquífero Guarani.

A água do subsolo pode estar armazenada entre os poros e espaços vazios dos solos, rochas e sedimentos. Esse tipo de formação recebe o nome de aquífero. As águas chegam a esses locais através das chuvas, que vão se infiltrando no solo e preenchendo esses espaços. Por definição, um aquífero deve ser uma formação geológica que armazene e transmita quantidades significativas de água. Para isso, a rocha do local deve possuir porosidade suficiente para que a água fique armazenada. Além disso, a rocha deve ter permeabilidade para permitir que o líquido transite e alcance diferentes pontos dentro da formação.

Quando uma porção da água de um aquífero fica próximo à superfície e aflora, cria-se uma nascente. A nascente é um modo do aquífero transmitir suas águas. Rios também podem ser abastecidos pelas águas subterrâneas. O ser humano soube aproveitar essas reservas espetaculares através da construção dos poços.

A água dos aquíferos é, de modo geral, considerada de boa qualidade. As várias camadas de solo e rocha por onde as águas das chuvas passam atuam como um filtro que retém as impurezas presentes na água da chuva, tornando-a potável.   O Brasil é um país riquíssimo em água doce. Grandes rios atravessam o país, abastecendo cidades e proporcionando vida a todos os seres vivos que residem aqui.

Além disso, ele guarda em seu subsolo outra riqueza imensa: o Aquífero Guarani. Estendendo-se por 1.195.500 km², essa formação gigantesca ocupa áreas de quatro países da América do Sul: Brasil, Uruguai, Argentina e Paraguai. Sua maior porção está em território brasileiro (70%), ocupando áreas em oito estados: Mato Grosso do Sul (25,4%), Rio Grande do Sul (18,8%), São Paulo (18,6%), Paraná (15,6%), Goiás (6,5%), Minas Gerais (6,1%), Santa Catarina (5,9%) e Mato Grosso (3,1%).

O Aquífero Guarani começou a se formar na era Mesozóica, no início do período Cretáceo. A paisagem desértica que existia no local foi afetada por intensa atividade vulcânica. Isso depositou lava basáltica que, futuramente, formou as rochas que compõem a extensão do aquífero. Movimentos tectônicos contribuíram para o soerguimento da região que, por milhões de anos, ficou recebendo e armazenando as águas das chuvas.

Estima-se que o volume de água armazenado no Aquífero Guarani chegue aos 30 mil km³. Essa água é muito utilizada pelas pessoas que vivem em toda a sua extensão. Diversas cidades de médio e grande porte utilizam águas do aquífero para o abastecimento de seus habitantes. A extração dela se dá, principalmente, através da perfuração de poços artesianos, que trazem a água até a superfície para ser distribuída.

Outro uso da água ocorre na agropecuária. Isso se dá principalmente na irrigação de lavouras. A boa qualidade da água permite que ela seja utilizada para esse fim, com a ressalva de ser evitado a irrigação de grandes lavouras para não reduzir seu volume do aquífero. Afinal, a formação é abastecida pelas águas da chuva, que desce lentamente até os espaços da rocha.

Toda essa riqueza está sob constante ameaça. O desperdício de água é um fator que pode esgotar toda a água do aquífero. Parece estranho que tanto milhões de litros de água possa acabar um dia. Porém, o consumo desenfreado de uma área que demora a recarregar, principalmente em época de falta de chuva, pode fazer com que isso ocorra.

O mal uso do solo é outra ameaça constante. Os estados brasileiros que abrigam o aquífero são grandes produtores agrícolas. Grandes áreas de cultura de soja, milho, café e pasto estão em cima da reserva de água, que pode receber resíduos de agrotóxicos e outros produtos utilizados indiscriminadamente nas lavouras. Contaminações do solo com óleos, fezes e lixões também irão mandar substâncias contaminantes para as regiões mais profundas do solo, colocando a qualidade da água do aquífero em risco. Preocupados com essa realidade, Brasil, Argentina, Uruguai e Paraguai assinaram um acordo para a utilização racional das águas do aquífero, promovendo sua conservação e bom uso desse recurso.

É urgente a necessidade de uso racional da água do Aquífero Guarani. Milhões de pessoas (sem falar dos outros seres vivos que vivem na região) necessitam dessa água. Para manter esse recurso disponível por vários anos, não bastam apenas acordos governamentais. É imprescindível uma mudança de atitudes no uso da água. As regiões que passam por falta de chuvas tiveram que se adaptar. Não é difícil. Aliás, adaptação é uma das maiores regras da natureza. Vamos nos adaptar às novas realidades, pensando no futuro distante (ou próximo, como preferir). Mas que seja um futuro com água de qualidade para todos.

E para esclarecer: não existe nenhum projeto do governo tentando vender o Aquífero Guarani à Coca-Cola ou à qualquer outra empresa. Fique atento a notícias falsas.

 

REFERÊNCIAS

Gomes MAF. O Aquífero Guarani. Acesso em: 07 out. 2017.

International Water Law Project. Acordo sobre o Aquífero Guarani. Acesso em: 07 out. 2017.

Migliorini RB, Duarte U, Barros Neta MAP. Aquífero Guarani: Educação Ambiental para sua conservação na região do Planalto dos Guimarães. Cuiabá: Entrelinhas, 2007.

Villar PC. Gestão de Águas Subterrâneas e o Aquífero Guarani: desafios e avanços. In: V Encontro Nacional da Anppas. Florianópolis, 2010. Acesso em: 07 out. 2017.

 

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